Por que pensei em desistir da viagem quando cheguei na Tailândia? (Desabafo)

Bangkok - Porque entrei em depressão quando cheguei na Tailândia

Viajar o mundo e viver viajando é o sonho de 9 a cada 10 pessoas. Muitos amigos mandam mensagem a cada postagem nossa pedindo mais textos, falando para aproveitar mais e lembrando que estamos vivendo um sonho. Realmente estou vivenciando o meu sonho de adolescência quando dizia que queria morar um mês em cada país do mundo. Mas e aí, viver viajando o mundo é tão maravilhoso assim? 

Bangkok - PamdaBrazil

Nem tudo são flores, nem tudo é tão perfeito como parece. Fazendo uma análise,  falo hoje em dia que antigamente eu tinha dinheiro mas não tinha tempo, hoje eu tenho tempo mas não tenho dinheiro. Então, nem sempre posso fazer tudo o que gostaria nos países que estamos passando. Já diz aquela música cantada pelo Capital Inicial: “Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito”.

Afinal, o que é melhor, viajar por curtos períodos ou por longos períodos? Quando viajamos por curto período igual eu fazia antigamente, eu não me preocupava muito com o quanto eu gastava, onde iria comer ou quais os passeios iria fazer. E, por mais que extrapole os gastos naquela viagem de férias, você volta pra casa, aperta de cá, economiza de lá e paga tudinho parcelado até a próxima viagem.

Enfim, nosso projeto atual de volta ao mundo iniciou em dezembro de 2016 e até agora já foram 5 meses de estrada, 3 continentes e 7 países. Os últimos três países foram Indonésia, Malásia e Tailândia.

Para cada novo país, temos que nos adaptar às novas culturas, costumes, religião, alimento, tempero, transporte público e também temos que interpretar o sotaque local para entender o inglês. Temos que nos preocupar também com a nova moeda e sua conversão para o real e o que podemos ou não fazer para não interferir na cultura local, por mais que sejamos turistas.

Por exemplo, não podemos passar a mão na cabeça das crianças por ser considerado a cabeça o local mais puro do corpo. Não devemos apontar a sola dos pés para Buda ou outra pessoa porque os pés são a parte mais suja do corpo, e temos que retirar o calçado na maior parte dos templos e lojas. Precisamos entender que os muçulmanos acham o cachorro um animal tão impuro que não são dignos de serem se quer tocados, eles morrem de medo e tem muito nojo deles. =(

Agora, pense em fazer tudo isso aí acima uma ou duas vezes por mês!? Parecia que meu cérebro ia surtar.

Quando cheguei em Bangkok já tivemos o choque inicial onde grande parte das informações estava apenas no alfabeto local completamente diferente do nosso. Fomos para a praça de alimentação, fizemos o pedido e descobrimos que eles não aceitavam cartão, as meninas ficaram na praça de alimentação com a nossa bagagem enquanto fui sacar dinheiro. Tentei sacar dinheiro de dois cartões diferentes e três bancos diferentes e não tive êxito, voltei pra pegar o dinheiro da Malásia para trocar na casa de câmbio e vi que nosso pedido já estava em cima do balcão esfriando. Fui trocar dinheiro e a atendente me pediu o passaporte, voltei na praça de alimentação pra pegar o passaporte e finalmente consegui o dinheiro. Fui pagar o almoço que já estava esfriando e a atendente (que não falava nada em inglês) me mostrou um Cashier (Caixa) do outro lado da praça de alimentação. Cheguei lá, entreguei o dinheiro local, ela carregou uma espécie de cartão magnético, voltei ao restaurante e finalmente conseguimos pagar e comer. Eu já estava exausto (ExaustãoMental#01) e faminto (ExaustãoMental#02).

Resolvi não comprar um chip local, mas sinceramente, por 30 reais que você paga num chip pra turista com internet, você vai economizar muuuuuito com transporte pedindo Uber ou Grab (grab é o uber da ásia). Pedimos então nosso Grab utilizando o wifi do aeroporto. Motorista aceitou a corrida e mandei mensagem pra ele informando que eu estava no portão 11 do andar de Embarque. Demorou quase 30 minutos pra ele entender que eu não estava no andar de desembarque. Finalmente entramos no carro e ele disse que não falava nada em inglês. Beleza. (ExaustãoMental#03).

O caminho até nosso apartamento alugado pelo Airbnb durou cerca de uma hora devido ao engarrafamento e distância. Enquanto isso, fiquei realmente maravilhado com alguns prédios que a gente duvidava de como poderia ficar em pé, elevados e viadutos rodoviários e ficamos chocados com o calor e a camada de poluição no infinito do horizonte e que nos permitia ver a cor azul do céu apenas em alguns pontos. (ExaustãoMental#04)

Bangkok com sua poluição, calor e trânsito caótico
Bangkok com sua poluição, calor e trânsito caótico

O gps fez com que o motorista se perdesse no meio do caminho. Levamos mais alguns minutos para chegar ao nosso destino. O motorista fala algo indecifrável com o porteiro, o carro entra no estacionamento, eu pago o motorista, retiro minha bagagem, o porteiro mostra um cartão magnético pra mim, eu o acompanho sem falar nada porque o porteiro também não fala inglês, entramos no elevador com a maior cara de “what the hell is going one” e, milagrosamente, ele nos mostra nosso apartamento. <3

Chegamos em nossa nova casa, nos instalamos e nos deitamos pra dar aquela espreguiçada depois de uma viagem exaustiva. Para compensar, o apartamento é bem confortável e a área de lazer é incrível.

Depois de instalado, era hora de ir no mercado local e comprar suprimentos. Cheguei na Seven-eleven (a maior rede de mini-mercado da Tailândia) e tive mais um momento exaustivo: os rótulos todos nos caracteres locais e os atendentes não falavam ABSOLUTAMENTE NADA em inglês. Tentei comprar um chip de celular mas ele me vendeu o crédito para a operadora. Meu Deus do céu! Peguei meu celular, retirei o chip e apontei dizendo que eu precisava do Chip. O atendente juntou as mão em frente ao peito como um sinal de desculpas, cancelou o crédito e me devolveu o dinheiro com um sorriso. Comprei o que eu achava que tinha a cara legal, voltei para o apartamento já completamente angustiado e cansado. “Today I do not feel like doing anything. I just wanna lay in my bed.”

Não tive vontade de fazer nada por pelo menos dois dias. Conversei com Renata e pedi pra ela ficar indo ao supermercado porque eu como qualquer coisa, já ela e Joyce são mais seletivas e fica difícil pra mim ficar escolhendo por elas. Não quis pesquisar nada e não me interessei por nada. Só queria ficar deitado, justamente assim, sem fazer nada.

Ficamos uma semana em Bangkok. No terceiro dia eu dei uma fuçada no google e encontrei alguns shoppings de eletrônicos e comércios tipo feirão. Decidimos então pegar um skytrain (sou apaixonado demais por essas estruturas de metrô de superfície, que parece que estamos voando pela cidade) e visitamos 3 shoppings. Mesmo que eu não compre nada, gosto de ficar olhando.

Dias depois, foi a vez de Renata comandar todo o passeio pela cidade onde ela traçou a rota pelos templos da cidade. Visitamos 4 templos nesse dia, olhamos vários monges em suas vestes alaranjadas e contemplamos a devoção do povo por Buda.

Monges em devoção por todos os lugares
Monges em devoção por todos os lugares

Nos divertimos com os insanos tuk tuks e enfrentamos a fúria de um taxista que queria cobrar cinco vezes a mais que um valor normal da tarifa do centro para o nosso apartamento. Esse valor cobrado foi o mesmo valor que paguei do nosso apartamento para o aeroporto com um engarrafamento gigante e mais de uma hora de estrada.

Cogitamos a possibilidade de ficar um mês apenas em Bangkok para aliviar as despesas. Consideramos que seria um erro, pois existem lugares muito mais bonito na Tailândia para se conhecer. Bangkok é um lugar quente (35º com sensação térmica de 48º), poluído, trânsito caótico e possui uma vida insana demais pra ser verdade.

Decidimos então voar para o litoral. Impressionante como o mar e a temperatura já me fez sentir literalmente em casa. São Luís está 2º ao sul da linha do equador e Phuket está 7º ao norte. Aqui, por ser bem mais turístico, acabamos cruzando com pessoas e conseguimos já nos expressar melhor em inglês, pareceream ser mais harmoniosas e receptivas. Algo bem diferente da grande e caótica Bangkok.

Bangkok - Golden Mountain - Família Pamda Brazil
Não foi na praia ainda, mas já deu pra voltar a sorrir.

Essa pequena mudança de habitação já “curou” algo que me deixou preocupado por uma semana. Tailândia virou minha cabeça e já não penso mais em ir embora daqui. Vamos ver o que nos reserva o futuro. Tailândia está completamente na minha lista de top 5 lugares para morar.

Abraço do Panda! Namastê!

Para saber mais do nosso projeto, siga nosso insta: instagram.com/PamdaBrazil

E você? O que já aconteceu na sua viagem que te deixou louco? Deixa aí nos comentários! =)

24 comments

  1. Te entendo perfeitamente! Quando estamos viajando, as outras pessoas e até nós mesmos nos cobramos de estar felizes 100% do tempo. Mas não é assim, a viagem não te leva a um universo paralelo, ela é parte da vida, e na vida momentos de tristeza e frustração também fazem parte. O melhor a fazer é aceitar que há dias bons e ruins, e nos ruins, sempre ter em mente que vai passar. Tudo vai dar certo, quer dizer, já está dando. Mil beijos =*

    1. Oi Loki, talvez o texto não tenha acrescentado nada a você, mas muitas pessoas não imaginam que uma viagem longa possa ser tão exaustiva e, em alguns momentos, bater aquela deprê.
      Algumas pessoas encaram toda essa novidade com empolgação, mas para outras, isso pode ser exaustivo em um certo momento. Cada um é cada um, né?

      1. Bem isso !!Um estrangeiro que vem pra São Paulo sofre exatamente a mesma coisa. Quer ir para um pais estrangeiro e não sofrer nenhum perrengue????

  2. Eu acho perfeitamente normal se sentir triste e desanimado às vezes, é uma viagem muito longa, cheia de desafios e ninguém é feliz o tempo todo… Um beijão! Fiquem bem.

  3. Que Desabafo! Ainda bem que no final vcs conseguiram dá uma guinada e bola pra frente.Com certeza vcs sairão mais fortalecidos dessa aventura. Sua filha tá linda Renata! Tudo isso faz parte. Um abraço.

  4. Pessoal, boa noite! Gostaria de saber se vocês podem me ajudar no que se refere ao custo de vida na Tailândia. Estou me preparando para uma jornada nômade e queria saber se, na experiência de vocês, dá para viver na Tailândia (pensei em Chiang Mai) com aproximadamente R$ 4.000 ( 2 pessoas) . Esse seria o valor que eu poderia gastar com um apê no Airbnb, Alimentação e eventuais passeios.

    Poderiam me dar uma orientação?
    Obrigado e boa sorte na jornada de vocês.

    1. Oi Paulo, tudo bem? Nos próximos dias vamos publicar nossos gastos da tailândia. Mas vou antecipar, acredito que dê sim. Nós gastamos cerca de R$2700 de alimentação para 3 (comendo em restaurantes simples) e R$2000 de hospedagem (guesthouse em Koh Phi Phi por um mês para 3 pessoas).

  5. Cheguei no blog de vcs agora, e esse foi o primeiro post q li. Acho que o titulo me chamou a atenção justamente por retratar sentimentos tão reais. Não curto esses blogs que só mostram o lado bom, todo mundo sempre feliz e realizado, a viagem linda e perfeita, quando na realidade não existe perfeição, a vida é cheia de altos e baixos. Eu amo viajar, mas já passei sim perrengue, já fiquei deprimida p.ex. em Londres pq o calor + viajar com uma criança de quase 2 anos dando ataque a cada 10 minutos + o cansaço tiram o bom humor de qualquer um! Claro que isso impacta no olhar que temos daquela cidade e nas experiencias que vivenciamos ali. Enfim, só quis comentar pra inspirar mais relatos como esse, e dizer que tenho gostado muito dos posts de vcs. 🙂

    1. Oi, Denise.
      Fico muito feliz com o seu comentário. Para uma viagem longa, nem sempre é possível viver “feliz” todos os dias. Tem dia que os acontecimentos não vão ser tão bons mas fica de lição.
      Apesar dos primeiros dias em Bangkok, eu me apaixonei pelas ilhas, pelas praias e pelas pessoas.
      Fomos embora da Tailândia com o coração apertado. Foi tipo uma provação os primeiros dias, que depois se superou e mudou muito nosso ponto de vista.
      Conheci pessoas e histórias maravilhosas e fiquei até “com vergonha” das minhas dificuldades perto de tantas outras que escutei pelo caminho.
      Mas é isso, escrevi como me senti nos primeiros dias e vou escrever agora como terminou a história pela Tailândia.

      Mais uma vez. Obrigado pelo carinho e por me entender! =)

      Grande abraço do Pamda!

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