Similan Islands – o mar que eu sonhei na Tailândia

Não acreditei quando o despertador tocou às 5:15 da manhã. Embora continuar na cama fosse o que meu corpo pedia, a mente já estava a mil com a expectativa para conhecer as Ilhas de Similan ao norte de Phuket.

Seria agora que eu conheceria o mar da Tailândia que eu imaginava? Ainda escuro, empacotamos as tralhas e desci para comprar nosso café da manhã no mercadinho Family Mart. Com sanduíches e café nas mãos, ficamos aguardando a van que nos levaria até uma outra cidade, de onde pegaríamos o barco para as Similan Islands, um arquipélago de 9 ilhas , ao norte de Phuket. O sol ainda não iluminava o céu completamente quando as van chegou e nos encontrou sonolentos. A Raquel, a brasileira queridíssima que conhecemos no dia anterior e nos incentivou a ir nesse passeio, já estava no carro.

Saímos de Phuket em direção ao norte da ilha ao mesmo tempo que o sol subia no horizonte. Entre o verde das montanhas, os primeiros raios traziam luminosidade ao céu neblinado. Eu não me sentia muito bem disposta ainda, uma mistura de enjoo, provavelmente causado por algo que comi na noite anterior, e muito sono, resultado de dormir tarde e acordar tão cedo. Briguei contra ambos nas duas horas de trajeto.

Quando chegamos no vilarejo, fizemos check in e recebemos pulseirinhas de identificação do nosso barco, o Sandy. Havia remédio para enjoo disponível e aproveitei para tomar. Normalmente não sinto nada em barcos, mas do jeito que eu já estava em terra firme, eu não duraria muito tempo.

Recebendo as instruções iniciais do nosso guia em Similan Islands
Instruções iniciais do nosso guia

Apesar de terem nos dito que não havia café da manhã incluso, havia um lanchinho à nossa espera. Café, chá, chocolate e biscoitos. Claro que não consegui colocar mais nada pra dentro naquele momento. Apenas sentei e torci para que o remédio fizesse efeito logo. Aliás, decisão acertadissima essa de tomar o remédio. Eu certamente não teria curtido o passeio sem ele – muito menos a volta turbulenta, que eu conto depois.

Já a bordo do Sandy, começamos a navegar pelo mar de Andaman. O céu estava um pouco nublado, o que deixava o dia com uma temperatura agradável. Nossa primeira parada foi para snorkel, próximo a uma das ilhas – a sétima, se não me falha a memória. A água variava em tons de azul, do claro ao escuro. Dentro d’água inúmeros peixes se aglomeravam ali perto, mesmo sem o truque de jogar comida para atrai-los. A cor embaixo da água era linda, embora a visibilidade não fosse excelente.

O fundo do mar alternava entre trechos com corais, areia e pedaços de madeira, provavelmente consequência do tsunami de 2004. Um daqueles momentos de se refletir como a natureza é poderosa. Depois de uma meia hora nadando, voltamos ao barco e seguimos para nossa segunda parada. Desceríamos em uma das ilhas para relaxar na praia, que segundo o guia seria um paraíso. Não sei se paraíso é uma palavra forte o bastante para descrever o lugar onde paramos. Água morna e azul piscina, areia branquinha e árvores circundando o local. Inacreditável.

Nenhuma palavra vai conseguir descrever esse arquipélago chamado Similan. As praias tem o tom de azul exato que aparecia em meus sonhos. Tudo o que posso fazer é agradecer por todos os caminhos percorridos até chegar aqui hoje. Absolutamente incrível.

Infelizmente a parada durou menos do que eu gostaria. Ficaria bem mais tempo gastando a beleza daquele lugar. Mas a barriga já dava sinais de fome – e a próxima parada seria para almoço. Então , vamos que vamos! Depois de uns 15 minutos no barco, chegamos a mais uma praia absolutamente incrível. Descemos e adentramos na florestinha, onde há toda uma estrutura rústica para servir o almoço. Há também barracas de acampamento onde algumas pessoas passam a noite por lá para um contato mais intenso com a natureza.

O almoço foi simples e para o meu gosto não estava muito bom, exceto o franguinho frito, coxinhas da asa, que amo! Havia duas outras opções, além de arroz, macarrão com molho de tomate adocicado, frutas, água e refrigerante. Embora fossemos servidos, era possível repetir – e sobrou bastante comida. Devidamente alimentados, subimos umas rochas que formam um mirante da praia.

O almoço faz parte do passeio em Similan Islands
O que sobrou do nosso almoço

Subimos no barco já com dificuldade. Embora não houvesse nenhum sinal de tempestade, o mar já nos dava um pequeno alerta sobre o que nos esperava. Fomos todos obrigados a colocar os coletes salva vidas – algo que havíamos sido dispensados na ida. O capitão tocava o barco a toda velocidade, frequentemente nos molhando do lado de dentro. Aos poucos o céu foi escurecendo, depois vieram os ventos fortes, até que ela chegou.

A tempestade anunciada pelo nosso guia era verdade e se materializava nos pulos que o barco dava e nos banhos que tomávamos, quando as ondas de cerca de dois metros ignoravam as tentativas do capitão de manter a água do lado de fora do barco. No verão da Tailândia, sentimos frio. E medo. Grande parte do barco estava apavorada. Casais se abraçavam para se aquecer e se confortar um pouco. Apesar de ciente dos riscos, mantive a calma. Joyce em pânico, como eu nunca tinha visto.

No barco, as pessoas se solidarizaram e se ajudavam. Uma toalha para proteger do frio, uma mão quando alguém queria mudar de lugar. Enquanto observava a solidariedade humana durante os momentos mais difíceis, agradeci por termos um capitão que demonstrou tranquilidade e sabedoria para nos guiar pelo melhor caminho nessa tormenta. Ter uma pessoa assim à frente pode ter feito toda a diferença por ter permitido que eu esteja aqui contando essa história.

O barco era levado a toda velocidade, para vencer as ondas. E então, num determinado momento, senti as mãos mais quentes. Embora o mar continuasse revolto, o céu já estava mais claro e o vento forte e gelado havia sido substituído por um ar mais quente. O pior havia passado. O barco estava inteiro e a terra firme já podia ser avistada. A tempestade durou cerca de 40 minutos, que pareceram horas intermináveis. Chegamos no pier junto a outros 3 barcos que também enfrentaram a fúria do mar. Um outro ainda estava faltando.

Nosso guia agradeceu por termos acreditado na palavra deles e aceitado retornar sem a última parada do passeio. Ninguém havia se oposto.

similan islands
Uma das últimas fotos antes da tempestade chegar

Ficamos aguardando a chegada do último barco dentro da loja que nos serviu o café da manhã e que agora servia um chá da tarde. O outro barco demorou ainda uma hora a mais da nossa chegada. Soubemos que ele havia passado mais pelo meio da tempestade: sofreram com ela por uma hora e meia.

Tivemos que aguardar para ajustar a logística das  vans de retorno para nosso hotel. Das estradas da Tailândia, observamos mais uma vez o crepúsculo tímido.

Mesmo com todo esse perrengue, visitar Similan Islands foi realizar o sonho de ver o mar que eu sonhava na Tailândia. Aquele que eu me recusava a acreditar que existia – sempre pareceu filtro! Recomendo demais esse passeio.

Ainda ficamos mais um dia em Phuket e depois seguimos para Koh Phi Phi – onde finalmente encontramos nosso lugar para descansar!

Renata Marques

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