Escalada ao topo do vulcão Villarrica – Pucón, Chile

Vulcão Villarrica - Pucón

Desafio, conquista. Como resumir a subida ao topo do vulcão Villarrica? Simplesmente impossível descrever com palavras as sensações desse dia.

Há alguns dias, fizemos a escalada ao topo do vulcão villarrica. Eu, Renata e a nossa filha de 14 anos. Não fazemos trilhas, não temos preparo físico e não foi nada fácil.

Renata passou mal ainda na primeira subida, mas com nosso guia incrível, ficou melhor e consegui continuar. Subiu até os 2400m (faltaram 486!), mas tiveram que ficar por lá porque minha filha chegou ao limite. Também não sei se ela conseguiria ir até o final.

Impossível não se sentir pequeno diante dessas maravilhas da natureza.

Recomendamos demais a empresa Sur Explora – ela é nova, foi criada por um guia que cansou de trabalhar para empresas que só queriam o dinheiro dos turistas. Todo o equipamento novíssimo!

Mais que um guia, o Erick foi um herói. Motivou, ensinou, brigou com a gente, fez a gente se jogar na neve pra ter certeza de que aprendemos a nos defender da montanha.

O vídeo resume um pouco dessa nossa jornada!

Ao chegar em Pucón, deixamos nossa bagagem no hotel e fomos correndo às agências de turismo para agendar nossa escalada ao vulcão, só tínhamos o dia seguinte para poder subir. As agendas estavam lotadas porque os 3 dias anteriores estavam nublados e não foi possível ter subida ao vulcão. #deusesnocomando. As pessoas já estavam há 3 dias hospedadas na cidade esperando o tempo abrir para poder fazer o passeio mais desejado da região. Conseguimos agendar nosso passeio para o dia seguinte. Fizemos o pagamento do nosso passeio e separamos a nossa roupa e equipamentos para escalada no dia seguinte.

Olhando o vulcão de longe, NUNCA diria que levaria 7 horas para subir e 2h30 para descer e NUNCA diria que esse seria o desafio mais fodástico que enfrentei na minha vida inteira. NUNCA diria que seria o passeio TOP 3 que já experimentei.

Bem, pra falar a verdade, eu tinha dúvida do que seria mais difícil no dia da escalada: acordar às 5h da manhã num frio do cabrunco que desmotiva para levantar ou escalar o vulcão. Juro que pensei que acordar seria o mais difícil. Saímos do hotel as 6h20. Chegamos na agência as 6h35. Calçamos as botas, guardamos nossos pertences no baú e seguimos viagem de carro até o pé da montanha.

Colocamos nosso mochilão na costa que continha 2 litros de água, biscoito, frutas, chocolate, roupas, luvas, protetor solar, maquina fotográfica, gopro e o Panda. (Se eu tiver que dar uma única sugestão, seria: NÃO ESQUEÇA DO PROTETOR SOLAR. USE SEMPRE.) Enfim, que mochila pesadinha. My gosh.

Para mim, o primeiro trajeto foi tranquilo até a entrada do teleférico. A subida pelo teleférico custava 10 mil pesos chilenos e eu só tinha na carteira 15 mil. Optamos por Joyce subir na cadeirinha. Eu, Renata, Shawn (sul-africano) e Erick (o guia) fomos a pé pelo segundo trajeto que vai até o fim do teleférico.

No segundo trajeto, subida moderada, pedregulhos no caminho e o peso do mochilão fez Renata pensar em desistir na metade desse trajeto. Tivemos muitas paradas para Renata conseguir recuperar um pouco de fôlego e eu optei por carregar os dois mochilões (uma nas costas e outro na frente) para que não consumisse muito da energia dela.

Durante a espera, Joyce já tinha feito amizade com uma pessoa que estava esperando um grupo que desistira de subir até o topo do vulcão. Diversos são os motivos que fazem as pessoas desistirem (dificuldade, medo de altura, medo do vento,…). O novo colega de Joyce colocou uma música brasileira para tocar e disse que gostava da batida e do ritmo mas não fazia ideia do que a música falava. Joyce começou a traduzir para o inglês a música “Dessa casa eu só vou levar: o violão e o nosso cachorro”. Rsrs.

Depois de quase uma hora de subida por esse segundo trajeto, Joyce já estava quase que impaciente por esperar tanto tempo por nós. Fizemos mais uma parada de 5 minutos para comer e beber água. Lá vamos nós para o terceiro trajeto.

Aos poucos, pequenos blocos de neve começam a se misturar com a terra e pedras no meio do caminho até que finalmente a camada de gelo sobre a terra predomina.

O quarto trajeto já é feito completamente sobre o gelo e o guia nos informa que a partir daquele ponto a subida está “valendo”. O risco de deslizar na neve pode acontecer e temos que estar preparado para caso isso aconteça. Eles no orienta como pegar a picareta, como cair e como cravar na neve para evitar o deslizamento.

No meio do caminho existe uma mega estrutura de concreto. Questionei o guia o que era aquela estrutura. Uma base do teleférico foi construído ali e sobreviveu apenas para uma temporada de campeonato de esqui. Logo após o final do campeonato o vulcão entrou em erupção e destruiu grande parte do teleférico, sobrevivendo praticamente apenas a parte de concreto.

Continuamos a caminhada e a dor física começa a ficar cada vez mais evidente. A parte mais afetada em mim eram os músculos das coxas e um calo no calcanhar que se formava pela falta de costume de usar a bota. Para as meninas, acredito que faltava muito fôlego também.

Nós éramos a última equipe a subir o vulcão. Várias pessoas já passavam por nós voltando do topo. Existe uma meta de tempo para se chegar ao topo. Após esse horário, a escalada teria que ser interrompida. Aceleramos um pouco mais o passo. Mas teve um momento que nossa filha já não tinha mais força para subir. Ainda faltava mais uma hora de caminhada e ela estava completamente exausta e pálida. Renata então foi solidária a Joyce e voltaram o caminho com um outro guia que já regressava do cume.

Eu, o sul-africano e o guia continuamos a subida. Faltava ainda 460 metros até o topo. Subida cada vez mais íngreme. Minhas pernas já não queriam mais obedecer. Ficava olhando para o sul-africano suplicando mentalmente para que ele estivesse cansado o suficiente para que ele desistisse também. Eu não poderia desistir para não “prejudicar” o passeio do companheiro. Tentava acompanhar. Passo-a-passo. Pensando inúmeras vezes em desistir e, toda vez que eu pensava nisso, um filho-da-mãe chamado Humberto Gessinger cantava no meu subconsciente que “eu não vim até aquiiii, pra desistiiir agoooraaa… Entendo você se você quiser ir embora…” Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto assim como a neve que se desprendia do vulcão pela ação de nossos passos. Cada pequena pausa para recuperar o fôlego e tomar água, a música ficava tocando em minha mente.

Aos poucos fomos chegando. A neve findando no cume e me senti novamente em “terra firme”. O vento que no início soprava a fumaça tóxica expelida pelo vulcão para o lado da nossa subida aos poucos tomou a direção contrária que nos favorecia. Sabendo que não haveria mais dor naquele momento e que a jornada ascendente havia terminado, os meus últimos passos foram novamente tomado por muitas lágrimas. Como um medalhista olímpico atingindo o mais alto degrau de um pódio. Emoção. O guia me olhou, parabenizou e gritou em espanhol “CUMBRE”.

O Panda chegou ao cume do Vulcão Villarrica!

Deixamos nossa mochila num canto, pegamos nossa máscara e fomos até a borda do vulcão admirar a dança ininterrupta de larva e fumaça. Contemplamos do cume do vulcão toda a paisagem que nos proporcionava. Lago, cidades, montes e outros vulcões. O céu estava perfeito, azul e sem nuvens. Gratidão.

Ficamos por lá durante 10 minutos e começamos a nos preparar para a descida. Escuto o guia falando no rádio que o tempo de descida era estimado em 2 horas e 30 minutos. Vestimos as roupas apropriadas para a descida e tivemos uma aula sobre ski-bunda. Duas opções para descer escorregando. Com plástico e sem plástico (uma espécie de cadeirinha). A sensação inicial é que você vai sair escorregando e, como você não consegue ver o caminho inteiro, poderá acabar voando.

Pedi ao guia que a primeira descida fosse sem a cadeirinha. Fui descendo aos poucos e fazendo muita força com a picareta na neve para não ganhar tanta velocidade. Já na terceira parte do caminho, imitando o que o guia fazia, já usava a picareta para ganhar velocidade. Já dava vontade de subir de novo. <3

Depois de acostumado com a descida, comecei a brincar com a neve usando os pés. Com essa brincadeira era possível criar uma “chuva” de gelo que voava de encontro ao meu peito e rosto. Delícia.

A parte da descida que continha gelo acaba para minha tristeza. Quase choro de novo. Rsrs. Guardamos nosso material na mochila e seguimos a descida a pé.

Esse lugar entrou na minha lista “Passeios TOP 5” que devemos fazer pelo menos uma vez na vida.

Perguntei para Renata se ela havia se arrependido do passeio. Ela me disse que valeu muito, mesmo que não tenha alcançado o topo da montanha. A vista e a descida são espetaculares.

Grau de Dificuldade do Passeio: 8 de 10
Meu Preparo Físico: 7 de 10

Observação: no dia anterior a subida eu havia publicado nas redes sociais sobre a subida. Dois amigos haviam falado que não tinha conseguido subir até o topo. Um havia desistido por ter levado muito peso desnecessário (muitos equipamentos fotográficos e muita água). Outro disse que sentia gosto de sangue na boca e também desistiu. Esse último era um rato de academia com um preparo físico considerável. Enfim, são casos e casos e motivos diversos.

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